Espondiloartrite: quando a dor nas costas é inflamatória
As espondiloartrites são um grupo de doenças inflamatórias crônicas que acometem principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, mas podem afetar também articulações periféricas, ênteses, olhos, pele e intestino. O diagnóstico precoce muda a evolução da doença.
O que é
O termo espondiloartrite engloba condições como a espondiloartrite axial (que inclui a espondilite anquilosante), a artrite psoriásica, a artrite relacionada às doenças inflamatórias intestinais e a artrite reativa. Todas compartilham mecanismos inflamatórios semelhantes e associação com o marcador genético HLA-B27 em parte dos pacientes.
A forma axial afeta a coluna e as articulações sacroilíacas (na transição entre a coluna e a bacia). Sem tratamento adequado, a inflamação persistente pode levar, em alguns casos, à limitação progressiva da mobilidade da coluna.
Dor lombar inflamatória: o principal sinal de alerta
Dor lombar é uma queixa extremamente comum, e a maioria dos casos é de origem mecânica. A dor da espondiloartrite, porém, tem características próprias:
- Início antes dos 45 anos, geralmente de forma gradual;
- Duração superior a 3 meses;
- Rigidez matinal prolongada, com frequência superior a 30 minutos;
- Melhora com movimento e exercício — e piora com repouso;
- Dor noturna, sobretudo na segunda metade da noite, que pode acordar o paciente;
- Boa resposta a anti-inflamatórios.
Além da coluna, podem ocorrer entesite (inflamação onde tendões e ligamentos se inserem no osso, como no calcanhar), dactilite ("dedo em salsicha"), artrite em articulações periféricas e manifestações fora das articulações, como uveíte (inflamação ocular), psoríase e doença inflamatória intestinal.
Por que o diagnóstico precoce importa
Estudos mostram que o intervalo entre o início dos sintomas e o diagnóstico de espondiloartrite axial ainda pode levar vários anos. Nesse período, a inflamação não tratada segue ativa. Identificar a doença cedo permite iniciar o tratamento na fase em que ele tem maior potencial de preservar função e qualidade de vida.
Como é feito o diagnóstico
Não existe um exame único que confirme a doença. O diagnóstico combina a história clínica detalhada, o exame físico, exames laboratoriais (como provas inflamatórias e pesquisa do HLA-B27, quando indicada) e exames de imagem — a ressonância magnética das sacroilíacas é capaz de identificar inflamação ativa antes que alterações apareçam na radiografia.
Tratamento
O tratamento é individualizado e combina medidas não medicamentosas e medicamentosas:
- Exercício físico regular é considerado pilar do tratamento — tão importante quanto a medicação — com benefício demonstrado sobre dor, rigidez e função;
- Anti-inflamatórios não esteroidais costumam ser a primeira linha medicamentosa;
- Nos casos com atividade persistente, há hoje diversas classes de medicamentos imunobiológicos e sintéticos-alvo específicos, cuja indicação depende do perfil de cada paciente e é definida em consulta;
- Cessação do tabagismo, controle do peso e acompanhamento das manifestações extra-articulares completam o cuidado.
Avaliação especializada
Sintomas persistentes merecem investigação adequada. Agende uma consulta para avaliação individualizada.
Entrar em contatoEste conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individualizado. Em caso de sintomas, procure avaliação com um médico reumatologista.